Meu Léo!

Hoje tá tão doído! preciso desabafar, preciso gritar, preciso chorar! chorar de saudades de você meu Léo, do que fomos, do que vivemos, do que não vivemos e poderíamos viver.

Estou aqui com esta dor, está angústia, neste vazio! estou na mesma casa, nosso cantinho simples, no nosso refúgio, rodeada praticamente das mesmas coisas, os móveis, nossas árvores, tudo praticamente como você deixou, menos você! e como me faz falta!

Nada me preenche neste vazio! busco mas não encontro! cada filho, cada neto, é uma bênção individual! são únicos em sua grandeza! não se troca, não substitui! não tem o mesmo cheiro, o mesmo sorriso, o mesmo jeito de abraçar, o mesmo olhar de cumplicidade! amam-nos de forma diferente e cada um do seu jeito especial de ser! e o vazio vai permanecendo, a saudade vai gritando, com uma intensidade que magoa! passam dias, meses, anos, ela ali, silenciosa, constante! não nos impede de viver, é a lei de Deus! até nisso ele é extraordinário! vivo mais vivo incompleta, silenciosa na minha dor! somente quem perde um filho tem a real dimensão do que ela significa! fechamo-nos na nossa angústia! é um cofre de dor, em convívio com emoções, mas diferente! sorrimos, mas são sorrisos sem a mesma alegria! os amanheceres incompletos, os adormeceres na esperança de um sonho que nos alivie a saudade. É uma dor solitária, evitamos falar porque não nos sentimos entendidas! sinto em tantos olhares a interrogação, mas faz tanto tempo! o que é o tempo quando se perde um filho? não lhes diria a resposta, nem me cabe dizer, para quê? não entenderiam!

Às vezes alguém pergunta quanto tempo faz Luísa? a vontade de responder é: foi hoje, agora, nesse instante! é assim que sinto, é assim que toda mãe que perde um filho sente! o tempo para nossa dor é diferente, é um tempo da gente, Deus nos permite assim! podemos até não transparecer, mas não se iludam, nossos corações é uma chaga em eterno sangrar! um simples pronunciar do seu nome nos traz um choque taquicárdico, uma dor estomacal, um aperto no coração! é assim o coração de uma mãe órfã! é um viver diferente! é navegar numa falta dolorosa, numa ausência que nada preenche, numa conflito constante! somos alegria/tristeza! esperança/aniquilamentos! fé e com a dúvida do por que? é uma dor em anestesia! é assim a minha vida! meu consolo filho? Deus! minha fuga? escrever! mesmo sem ter o dom da escrita, num ensaio de sentimentos, vou juntando as letras do meu coração, tentando dizer às outras mães que também são órfãs, como entendo sua dor, sinto na carne, porisso é que divulgo! na esperança de dar a essas, um pouco de consolo. Quando sei que uma mãe perde o filho, fico muda, sem palavras, sem ação! meu coração dispara, revivo tudo, sei quanto é animalesca essa dor! rezo baixinho e peço consolo para essa mãe! peço consolo para mim também.

Os maiores amores do mundo e do universo para mim são: amor de Deus, amor que sinto por meus filhos, amor que sinto por minhas mães!

Fique com Deus meu filho! minha bênção!

“Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz”

(Luísa Vasconcelos)

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